Uma febre. Debates, disputas de faca. Brigas de sangue.
O mito do travessão tomou as redes.
A inteligência, ainda que no auxílio dos fracos, dos desfavorecidos de gramática, dos ausentes da aula inaugural, essa jamais, em momento algum poderia ser artificial. Isso não!
Daí que a língua é viva. Mas as regras não surgem como leis. Elas são adubo. A imposição necessária da raiz que puxa do solo todo o alimento para que se produza flor. Do Lácio.
Na minha parca inteligência natural, a possível, o broto final que explodiu como deu. Cheia de derrotas assumidas. De esquecimentos de quem andou lendo pouco para ver série da Netflix, GloboPlay (gritai!), uma regra, única, imutável, necessária – até porque de uma elegância estética digna de estilista japonês, Issey Miyake e avanti, para mim, ela é lei.
Radical, ortodoxa e até xiita. Assumo. E pior, racista. Preconceituosa. Com nojinho. Separo o mundo entre os que obedecem, respeitam, curvam-se diante do inefável.
Os que passam por cima, broncos, toscos, brutos, sujos, sem modos. Não me venham com flexibilidade, coloquialismo. Falar não é escrever e vice-versa. Primeiro veio a fala. O ato de escrever tomou anos. Desafiou. Colocou os músculos da cabeça para funcionar. Portanto, separo. Não flexibilizo. Nem aceito o pedido de altas.
Chame-me de arrogante, elitista, burguesa, gás nobre.
Pode perscrutar todos os meus textos e expor vitoriosamente os meus crassos erros – eles aí estão, publicados, jogados no além do para sempre para escárnio geral.
Pois não sou eu quem diz.
Me é pronome pessoal do caso oblíquo átono de 1ª pessoa do singular (eu). Um minuto para retomar fôlego. (...) E é usado como objeto direto ou indireto, geralmente junto ao verbo e sem preposição antes (ex: “ele me tocou”). Diferencia-se de “mim” (tônico, usado após preposições) e NÃO deve iniciar frases na norma culta. Justamente porque atua como complemento (objeto direto ou indireto).
Acompanhamento: Vem sempre associado a um verbo (antes - próclise, ou depois - ênclise).
Exemplos: “Ela me chamou”, “Diga-me a verdade”, “Isso me pertence”.
Diferença de Mim:
Me (Átono): Sem preposição. “Ele me ama”.
Mim (Tônico): Com preposição. “Ele comprou para mim“.
Me poupe. Me chame. Me erre.
Jamais.
Ao escrever, tome tento. Respeite a língua. Evite iniciar frases com “me”.
Ajude-me.
Por favor.



